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Na seara doméstica

Todos somos irmãos, constituindo uma família só, perante o Senhor, mas até alcançarmos a fraternidade suprema, estagiaremos, através de grupos diversos, de aprendizado em aprendizado, de reencarnação a reencarnação. Temos assim, no cotidiano, a companhia daquelas criaturas que mais entranhadamente se nos associam ao trabalho, chamem-se esposo ou esposa, pais ou filhos, parentes ou companheiros. E, por muito se nos impessoalizem os sentimentos, somos defrontados, em família, pelas ocasiões de prova ou de crises, em que nos inquietamos, gastando tempo e energia para vê-los na trilha que consideramos como sendo a mais certa. Se já conquistamos, porém, mais amplas experiências é forçoso, a fim de ajudá-los, cultivar a bondade e a paciência com que, noutro tempo, fomos auxiliados por outros. Suportamos dificuldades e desacertos para atingir determinados conhecimentos, atravessamos tentações aflitivas e, em alguns casos, sofremos queda imprevista, da qual nos levantamos somente à custa do...

A riqueza

Amélia Kauper, anciã, estava em sua tapera, nos arredores de Chesapeake Bay, no interior de Maryland, quando Craig Poter, um de seus muitos sobrinhos, foi observar-lhe a situação.  —Seu tio James – dizia ela ao parente, referindo-se ao marido desencarnado – desde que se fez médium, num templo espírita, deu aos necessitados tudo quanto pôde. Não deixou dívidas, mas, depois do funeral, vim a saber que a nossa própria casa se achava hipotecada e fui constrangida, por isso, a entregar todos os nossos recursos aos credores…   —A senhora está arruinada, tia? - perguntou o moço.  —Estou com a roupa do corpo…  - esclareceu a velhinha.  E designando antigo móvel:  —Mas, graças a Deus, tenho o meu tesouro no cofre.  O rapaz, que conhecera os tios nos bons tempos, quando possuíam preciosas reservas no Texas, pensou um minuto e deliberou, de súbito, que a tia o acompanhasse.  No dia imediato, a viúva Kauper, depois de entregar enorme mala ao sobrinho,...

A palavra

A palavra é indubitavelmente um dos fatores determinantes no destino das criaturas. Ponderada – favorece o juízo. Leviana – descortina a imprudência. Alegre – espalha otimismo. Triste – semeia desânimo. Generosa – abre caminhos à elevação. Maledicente – cava despenhadeiros. Gentil – provoca o reconhecimento. Atrevida – traz a perturbação. Serena – produz calma. Fervorosa – impõe a confiança. Descrente – invoca a frieza. Bondosa – ajuda sempre. Cruel – fere implacavelmente.  Sábia – ensina. Ignorante – complica. Nobre – tece o respeito. Sarcástica – improvisa o desprezo. Educada – auxilia a todos. Inconsciente – gera amargura. Por isso mesmo, exortava Jesus: – “Não procures o argueiro nos olhos de teu irmão, quando trazes uma trave nos teus”. A palavra é a bússola de nossa alma, onde estivermos. Conduzamo-la na romagem do mundo para a orientação do Senhor, porque, em verdade, ela é a força que nos abre as portas do coração às fontes luminosas da vida ou às correntes da morte. Esp...

A face oculta

Tema – Necessidade da compaixão em qualquer julgamento. Viste o malfeitor que a opinião pública apedrejava e anotaste os comentários ferinos de muita gente…  Ele terá sido mostrado nas colunas da imprensa por celerado invulgar de que o mundo abomina a presença; entretanto, alguém lhe estudou a face esquecida de sofredor e observou que ninguém, até hoje, lhe ofertou na existência o mínimo ensejo de ser amado, a fim de acordar para o serviço do bem.  Soubeste que certa mulher caiu em desequilíbrio, diante de círculos sociais que fizeram pesar sobre ela a própria condenação…  Alguém, todavia, lhe enxergou a face oculta e leu nela, inscrita a fogo de aflição, a história das lutas terríveis que a acusada sustentou com a necessidade, sem que ninguém lhe estendesse mãos amigas, nas longas noites de tentação.  Percebeste a diferença do companheiro que se afastou do trabalho de burilamento moral em que persistes, censurado por muitos irmãos inadvertidamente aliados a todos...

A Tarefa dos Guias Espirituais

Os guias invisíveis do homem não poderão, de forma alguma, afastar as dificuldades materiais dos seus caminhos evolutivos sobre a face da Terra. O Espaço está cheio de incógnitas para todos os Espíritos. Se os encarnados sentem a existência de fluidos imponderáveis que ainda não podem compreender, os desencarnados estão marchando igualmente para a descoberta de outros segredos divinos que lhes preocupam a mente. Quando falamos, portanto, da influência do Evangelho nas grandes questões sociológicas da atualidade, apontamos às criaturas o corpo de leis, pelas quais devem nortear as suas vidas no planeta. O chefe de determinados serviços recebe regulamentos necessários dos seus superiores, que ele deverá pôr em prática na administração. Nossas atividades são de colaborar com os nossos irmãos no domínio do conhecimento desses códigos de justiça e de amor, a cuja base viverá a legislação do futuro. Os Espíritos não voltariam à Terra apenas para dizerem aos seus companheiros, das beatitud...

A manjedoura de Belém

Vemos naquela manjedoura, onde outrora Maria deitou o menino Jesus, depois de enfaixá-lo cuidadosamente, um símbolo eloquente, cheio de encanto e de sabedoria. Os símbolos valem pelas ideias que representam. Eles têm corpo e alma. Constituem esplêndidos aparelhamentos de ensino e de aprendizagem. A manjedoura de Belém, neste caso, é um símbolo empolgante. Ela alegoriza o coração humano, onde deve realizar-se o nascimento do Mestre e Senhor da Humanidade. Para recebê-lo, uma só condição se nos impõe: que o nosso coração adquira aquele cunho de humildade que caracteriza a manjedoura: é tudo. O mais virá pela influência de seu poder e da vitalidade fecundante que seu Espírito nos comunicará. Pedro de Camargo (Vinicius), do seu livro Em Torno do Mestre. Missão dos Espíritas  

Vinicius - biografia

Pedro de Camargo, mais conhecido por “Vinícius”, pseudônimo que adotou e usou por mais de 50 anos, nasceu em Piracicaba, no estado de São Paulo, no dia 7 de maio de 1878. Desde muito jovem abraçou a religião espírita, tendo fundado e dirigido em sua terra natal a instituição espírita “Fora da caridade não há salvação”. Por muitos anos presidiu também a “Sociedade Artística” na mesma cidade. Em 1938, transferiu a residência para a cidade de São Paulo onde permaneceu até sua desencarnação em 11 de outubro de 1966. A partir de 1949, desenvolveu, através do rádio, um programa evangélico de grande proveito para os meios espíritas. Orador de grande mérito por muito tempo ocupou a Tribuna da Federação Espírita do Estado de São Paulo. Teve participação destacada nos esforços em prol da unificação do Movimento Espírita Brasileiro que culminaria com a criação do Conselho Federativo Nacional (C. F. N.). Colaborou por dezenas de anos com artigos que primavam pela essência altamente doutrinária ...