O achado
I Viajantes, seguindo, apresentavam bilhetes. Viajantes, chegando, mostravam aspectos bizarros. Costumes de caroá, vestidos de algodão leve, grossas blusas de lã e capas gaúchas. Senhoras de passo lento surgiam, entremostrando saúde e alegria. Jovens risonhas caminhavam com a desenvoltura de modelos em passarela. Perdido na multidão do grande aeroporto, Marcelino Nunes divagava, contemplando as hélices dos aviões de grande porte. Relanceando o olhar em torno, via, encantado, o ambiente distinto. O dinheiro corria em cédulas de mil. Ninguém discutia a cobrança do excesso de malas, nem regateava a conta dos “souvenirs”, vendidos a preço de escorchar. Marcelino sonhava… Queria ser como aqueles forasteiros que iam e vinham pelas alturas. Desejava viajar, viajar, rotulando bagagem com etiquetas de hotéis dos diferentes países. “Turista importante, vida ideal” — pensava. Mas para isso precisava de dinheiro, muito dinheiro....