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No dia da Pátria

O Brasil celebra hoje (7 de setembro de 1935) o seu "Dia da Pátria". As bandeiras ouro e verde serão desfraldadas aos quatro ventos. Nas grandes cidades serão ouvidos os ecos dos clarins, nas paradas militares, e uma vibração de entusiasmo percorrerá o coração dos patriotas.  Sei também que muitas personalidades desencarnadas, que antigamente lutaram pela organização da nacionalidade, hoje se voltam para São Sebastião do Rio de Janeiro, onde pretendem participar das cerimônias comemorativas; muitos dos chefes tapuias e tupis, legítimos donos da terra conquistada pelos portugueses, ainda no espaço não desdenharão igualmente de passear os olhos pelo cenário das suas passadas existências, recordando hoje as suas tabas solitárias, os seus costumes, que os brancos perverteram, a imensidade das selvas e as belezas melancólicas das suas praias desertas.  Todavia, lembrando Paicolás, reconhecerão alguns benefícios de sua influência, ao lado de seus inumeráveis defeitos. Hão de con...

Agora é o dia

Escuta, meu irmão, agora é o dia.  Em que a Bênção Celeste nos coroa,  Convidando à tarefa clara e boa  De espalhar a alegria.  Desce do altar caseiro a que te elevas  E acende sobre a noite de quem chora   Uma réstia de aurora,  Adelgaçando as trevas…   Assinala, mais perto,  De coração fiel, amigo e atento,  O dorido lamento  Dos que passam clamando no deserto.  É a miséria sem lar vagando além,  A ignorância, torva e envilecida,  A criança perdida  E o doente cansado sem ninguém…   Desce do pedestal nobre e sublime  Em que a glória da fé te ilustra o nome,  Trazendo o pão onde se estenda a fome  E a luz de Deus onde corveje o crime.  Sobre o abismo das lágrimas debruça  O coração tranquilo e consolado  E encontrarás Jesus crucificado  Em cada peito humano que soluça…   Em ti que trazes, rútilo e fecundo,  O brasão do Evangelho na alma ard...

Coragem

Amigo, É verdade que em tuas relações com Deus: —pediste o dom da saúde e a saúde é um dos maiores tesouros da vida; —rogaste a bênção da paz e a paz é o alicerce de todo equilíbrio; —suplicastes o apoio do afeto e o afeto é um refúgio sublime; —deprecaste a luz da compreensão e a compreensão é a base da segurança; —requestaste o privilégio da liberdade e a liberdade é a força que te mede o aprimoramento; —imploraste a proteção da simpatia e a simpatia é o estímulo da ação; —Solicitaste o amparo da cultura da inteligência e a cultura é o instrumento que te faz discernir; —Requisitaste o socorro do trabalho e o trabalho é o motor do progresso. Entretanto, para que obtenhas saúde e paz, afeto e compreensão, liberdade e simpatia, cultura e trabalho, não prescindes de uma alavanca, da qual nem sempre te lembras nas petições à Providência Divina – a alavanca da coragem – a coragem de servir e viver. É por isso, leitor amigo, que te oferecemos as páginas simples deste livro. Elas traduzem...

Caminha

A tarefa com Jesus é semelhante a grande caminhada.  Em plena marcha, compreenderás que o serviço do bem não te permite o luxo do repouso desnecessário.  Os apelos para que te interrompas surgem, habitualmente, de muitos modos.  É o cântico das sereias da antiga imagem literária, induzindo-te a distrações, que te imobilizem no esquecimento.  É a lamentosa alegação de cassandras do pessimismo, inventando fadigas que não sentes, tentando paralisar-te.  São companheiros que se envolvem na trama de intrigas e melindres a te requisitarem para o desequilíbrio.  São amigos que te deixam a sós, receando perder as vantagens que os vinculam a paixões possessivas.  Ouve a consciência que te impele ao dever e não te perturbes.  Seja qual for o convite que te façam para que te detenhas no campo cinzento da inércia, não te prendas a semelhante domínio da sombra.  Serve e caminha.  Espírito Emmanuel, do livro Convivência psicografado por Chico Xavie...

A oferenda cristã

Antigamente, a fé exibia nos templos as vísceras fumegantes dos animais mortos, quando não imolava o sangue humano para aliciar a simpatia dos gênios inferiores categorizados à conta de anjos e deuses, nos santuários primitivistas.  Espetáculos deprimentes desdobravam-se diante do altar, gerando o temor e a superstição que orientavam a magia vulgar.  Evoluída a fé, o incenso e a mirra, as essências e os perfumes substituíram as ofertas sanguinolentas, modificando o culto exterior e amenizando os costumes.  Com Jesus, entretanto, as oferendas da fé são justas e expressivas.  O discípulo do Evangelho é convidado a imolar a si mesmo, nas áreas da renúncia pelo bem dos semelhantes, a fim de que a Terra se faça o templo do Amor Divino.  Com Cristo, não mais oblatas de sangue e lágrimas, nem dádivas de prata e ouro…  Não mais o ceticismo da ignorância, nem a exaltação de interesses mesquinhos, mas, sim o próprio coração do aprendiz erguido ao trabalho da felic...

Desengano

– “Caridade! Dom Júlio! Um pão dormido, Tenho fome e este frio me enregela!… ” – “Nada tenho a doar para a favela, Caridade é palavra sem sentido!… ” Assim falou Dom Júlio Barbarela, Mostrando coração empedernido…  Odiava escutar qualquer pedido, No ouro e no egoísmo se encastela…  Já velho, viu a Morte…  Espantadiço, Clamou: – “Darei meu ouro e meu serviço! …  Morte, somente peço dias calmos!… ” Mas, disse a Morte: – “Estás em despedida, Das terras que tiveste em toda a vida, Terás agora apenas sete palmos… ” Espírito Valentim Magalhães, do livro Confia e Serve, página psicografada por Chico Xavier.  

No campo da mediunidade

O cérebro físico é um aparelho de complicada estrutura. Constitui-se de células emissoras e receptoras, que servem nos mais diversos centros mentais, reguladores da vida orgânica. Imantam-se, dentro dele, poderosas correntes magnéticas, a flutuarem sobre o líquido cérebro-espinhal, como a engrenagem de um motor em óleo adequado, produzindo vibrações elétricas com a frequência de dez a vinte por segundo. Daí parte infinidade de ordens, endereçadas ao sistema nervoso, ao aparelhamento endocrínico e aos órgãos diversos.  O cérebro, porém, tal qual é conhecido na Terra, representa a parte visível do centro perispiritual da mente, ainda imponderável à ciência comum, no qual se processa a elaboração do pensamento, que escapa à conceituação humana.  Referimo-nos a semelhante quadro para comentar a necessidade da cooperação do servidor mediúnico, ao intercâmbio entre os dois planos, visível e invisível. A tese do animismo, não obstante respeitável, pelas excelentes intenções que a ...