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Decálogo da palavra

Não grite. Converse. A voz muito alta é semelhante a uma agressão sonora. Não discuta. O diálogo é a melhor forma de entendimento. Não conte vantagens. Muitos de nossos interlocutores possuem méritos que ainda estamos longe de adquirir. Não ridicularize a ninguém. Todos somos passíveis de errar. Não critique. Nenhum de nós está isento de observações corretivas, em nosso próprio favor. Fale auxiliando. Uma frase de compreensão e de simpatia ampara sempre. Não censure a quem quer que seja. Quando não seja exatamente por nós, precisamos de apoio verbal construtivo, em benefício de muitos dos nossos entes amados. Não use palavras inadequadas ou ofensivas a essa ou àquela pessoa. Todos precisamos do respeito de uns para com os outros, a fim de vivermos em paz. Não escolha o pessimismo para liderar a sua conversação. Não existe ninguém que não necessite de esperança e otimismo, na execução do próprio dever. Nunca se arrependerá você de haver falado bem. É pela palavra edificante que mais ...

Reminiscência

O Brasil republicano vagia entre as faixas do berço, quando conheci Manuel Ramos, nome pelo qual designarei um amigo obscuro, que abracei pela primeira vez no curso de breve contenda com portugueses ilustres, a propósito de Floriano. Comentávamos desfavoravelmente as atitudes cordiais do embaixador Camelo Lampreia, que primava pelo bom-senso, na conciliação dos elementos exaltados, ante os atos do Consolidador, quando um amigo brasileiro, justamente indignado, se prepara a revide de enormes proporções, de punhos cerrados e carantonha sombria. Assustado, procurava eu apartar os contendores, quando surge o Manuel, com a carcaça de um touro e com a alma de anjo, evitando o pugilato. Conteve os antagonistas, qual se fora uma gladiador romano, habituado ao manejo de feras, e eu, tomado de simpatia, ofereci-lhe a mão, em sinal de reconhecimento, quando os ânimos irritados possibilitaram a conversa pacífica. No amplexo amistoso, porém, observei que Manuel não era servidor comum, que se con...

Evangelho em casa

Praticas cultos diversos em casa de maneira imperceptível: O culto da limpeza. O culto do pão. O culto do carinho. O culto da segurança. O culto do bem-estar. A higiene externa, entretanto, pode não incluir a pureza dos pensamentos. Estômago farto nem sempre é conforto do espírito. Carinho, em muitas circunstâncias, exprime apego sem ser amor. Segurança financeira não é fortaleza intrínseca. Bem-estar, muita vez, é provisória ilusão. Se abraçares realmente a Doutrina Espírita, não podes ignorar que o culto do Evangelho te ensinará a valorizar todos eles, porquanto, com o Cristo, a limpeza começa na consciência, o pão do conhecimento nutre a alma antes do corpo, a segurança é harmonia moral, o carinho é entendimento fraterno e o bem-estar é realmente a consagração de cada um ao bem de todos. Pensando nisso, oferece-te Meimei as páginas deste livro. Possa ele, pois, ajudar-te na formação do teu núcleo de Evangelho entre as paredes do próprio lar, porque, se a Doutrina Espírita é o Cri...

Na seara doméstica

Todos somos irmãos, constituindo uma família só, perante o Senhor, mas até alcançarmos a fraternidade suprema, estagiaremos, através de grupos diversos, de aprendizado em aprendizado, de reencarnação a reencarnação. Temos assim, no cotidiano, a companhia daquelas criaturas que mais entranhadamente se nos associam ao trabalho, chamem-se esposo ou esposa, pais ou filhos, parentes ou companheiros. E, por muito se nos impessoalizem os sentimentos, somos defrontados, em família, pelas ocasiões de prova ou de crises, em que nos inquietamos, gastando tempo e energia para vê-los na trilha que consideramos como sendo a mais certa. Se já conquistamos, porém, mais amplas experiências é forçoso, a fim de ajudá-los, cultivar a bondade e a paciência com que, noutro tempo, fomos auxiliados por outros. Suportamos dificuldades e desacertos para atingir determinados conhecimentos, atravessamos tentações aflitivas e, em alguns casos, sofremos queda imprevista, da qual nos levantamos somente à custa do...

A riqueza

Amélia Kauper, anciã, estava em sua tapera, nos arredores de Chesapeake Bay, no interior de Maryland, quando Craig Poter, um de seus muitos sobrinhos, foi observar-lhe a situação.  —Seu tio James – dizia ela ao parente, referindo-se ao marido desencarnado – desde que se fez médium, num templo espírita, deu aos necessitados tudo quanto pôde. Não deixou dívidas, mas, depois do funeral, vim a saber que a nossa própria casa se achava hipotecada e fui constrangida, por isso, a entregar todos os nossos recursos aos credores…   —A senhora está arruinada, tia? - perguntou o moço.  —Estou com a roupa do corpo…  - esclareceu a velhinha.  E designando antigo móvel:  —Mas, graças a Deus, tenho o meu tesouro no cofre.  O rapaz, que conhecera os tios nos bons tempos, quando possuíam preciosas reservas no Texas, pensou um minuto e deliberou, de súbito, que a tia o acompanhasse.  No dia imediato, a viúva Kauper, depois de entregar enorme mala ao sobrinho,...

A palavra

A palavra é indubitavelmente um dos fatores determinantes no destino das criaturas. Ponderada – favorece o juízo. Leviana – descortina a imprudência. Alegre – espalha otimismo. Triste – semeia desânimo. Generosa – abre caminhos à elevação. Maledicente – cava despenhadeiros. Gentil – provoca o reconhecimento. Atrevida – traz a perturbação. Serena – produz calma. Fervorosa – impõe a confiança. Descrente – invoca a frieza. Bondosa – ajuda sempre. Cruel – fere implacavelmente.  Sábia – ensina. Ignorante – complica. Nobre – tece o respeito. Sarcástica – improvisa o desprezo. Educada – auxilia a todos. Inconsciente – gera amargura. Por isso mesmo, exortava Jesus: – “Não procures o argueiro nos olhos de teu irmão, quando trazes uma trave nos teus”. A palavra é a bússola de nossa alma, onde estivermos. Conduzamo-la na romagem do mundo para a orientação do Senhor, porque, em verdade, ela é a força que nos abre as portas do coração às fontes luminosas da vida ou às correntes da morte. Esp...

A face oculta

Tema – Necessidade da compaixão em qualquer julgamento. Viste o malfeitor que a opinião pública apedrejava e anotaste os comentários ferinos de muita gente…  Ele terá sido mostrado nas colunas da imprensa por celerado invulgar de que o mundo abomina a presença; entretanto, alguém lhe estudou a face esquecida de sofredor e observou que ninguém, até hoje, lhe ofertou na existência o mínimo ensejo de ser amado, a fim de acordar para o serviço do bem.  Soubeste que certa mulher caiu em desequilíbrio, diante de círculos sociais que fizeram pesar sobre ela a própria condenação…  Alguém, todavia, lhe enxergou a face oculta e leu nela, inscrita a fogo de aflição, a história das lutas terríveis que a acusada sustentou com a necessidade, sem que ninguém lhe estendesse mãos amigas, nas longas noites de tentação.  Percebeste a diferença do companheiro que se afastou do trabalho de burilamento moral em que persistes, censurado por muitos irmãos inadvertidamente aliados a todos...